Q249795
FURB - 2025 - SED-SC - Professor - Antropologia - Edital nº 3.022
Ano: 2025
Órgão:
SED-SC
Banca:
FURB
Matéria:
Antropologia
Assunto: Conceito e objeto da antropologia. Cultura. Relativismo cultural versus etnocentrismo. Observação participante e técnica
"À medida que a cultura, num passo a passo
infinitesimal, acumulou-se e se desenvolveu, foi
concedida uma vantagem seletiva aos indivíduos da
população mais capazes de tirar proveito disso − o
caçador mais hábil, o colhedor mais persistente, o
melhor ferramenteiro, o líder de mais recursos − até que
o que havia sido o Australopithecus proto-humano, de
cérebro pequeno, tornou-se o Homo sapiens, de cérebro
grande, totalmente humano. Entre o padrão cultural, o
corpo e o cérebro formou-se um sistema de
realimentação (feedback) positiva, no qual cada um
modelava o progresso do outro [...]. Submetendo-se ao
governo de programas simbolicamente mediados para a
produção de artefatos, a organização da vida social e a
expressão das emoções, o homem determinou, embora
inconscientemente, os estágios culminantes do seu
próprio destino biológico.
Grosso modo, isso sugere não existir o que chamamos
de natureza humana independente da cultura. [...] Como
nosso sistema nervoso central − e principalmente a
maldição e glória que o coroam, o neocórtex − cresceu,
em sua maior parte, em interação com a cultura, ele é
incapaz de dirigir nosso comportamento ou organizar
nossa experiência sem a orientação fornecida por
sistemas de símbolos significantes. [...] Para obter a
informação adicional necessária para agir, fomos
forçados a depender cada vez mais de fontes culturais −
o fundo acumulado de símbolos significantes. Assim, é
na carreira do homem, em seu curso característico, que
podemos discernir, embora difusamente, sua natureza,
e, apesar de a cultura ser apenas um elemento na
determinação desse curso, ela não é o menos
importante.
Por estranho que pareça − embora, num segundo
momento, não tão estranho −, muitos de nossos sujeitos
parecem compreender isso mais claramente que nós
mesmos, os antropólogos. Em Java, por exemplo, onde
executei grande parte do meu trabalho, as pessoas
diziam com tranquilidade: "ser humano é ser javanês".
[...] Ser humano não é apenas respirar, mas controlar a
respiração pelas técnicas do ioga, de forma a ouvir
literalmente, na inspiração e na expiração, a voz de Deus
pronunciar o seu próprio nome − "hu Allah". Não é
apenas falar, mas emitir as palavras e frases
apropriadas, nas situações sociais apropriadas, no tom
de voz apropriado e com a indireção evasiva adequada.
Não é apenas comer: é preferir certos alimentos, cozidos
de certas maneiras, e seguir uma etiqueta rígida à mesa
ao consumi-los. Não é apenas sentir, mas sentir certas
emoções distintamente javanesas − "paciência",
"desprendimento", "resignação", "respeito".
Aqui, ser humano certamente não é ser qualquer
homem; é ser uma espécie particular de homem, e sem
dúvida os homens diferem − "outros campos", dizem os
javaneses, "outros gafanhotos". (...) O caso é que há
maneiras diferentes e, mudando agora para a
perspectiva antropológica, é na revisão e na análise
sistemática dessas maneiras − a bravura do índio das
planícies, a obsessão do hindu, o racionalismo do
francês, o anarquismo berbere, o otimismo americano
(para citar uma série de etiquetas que eu não gostaria de
defender como tais) — que poderemos encontrar o que é
ser um homem, ou o que ele pode ser."
(Geertz, 2008, p. 35)
Em "O impacto do conceito de cultura sobre o conceito
de homem" (2008), Clifford Geertz discute a importância
de compreender a teia de significados que a cultura
abarca para entender o que constitui o ser humano. Com
base no trecho selecionado, registre V, para verdadeiras,
e F, para falsas:
(__) A tarefa do antropólogo consiste em identificar o que
é concreto, particular e circunstancial em cada cultura,
ao invés de buscar o que é universal na experiência
humana.
(__) A cultura é um ornamento da existência humana, um
acréscimo circunstancial à natureza, sem papel essencial
na constituição do homem.
(__) Não há uma natureza humana independente da
cultura, esta constitui condição essencial da existência e
base da especificidade da espécie.
(__) O relativismo, segundo essa perspectiva, pressupõe
que cada cultura possui sistemas próprios de
significados que devem ser interpretados em seus
próprios termos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta:
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