Q223462
FUVEST - 2024 - USP - Secretário - Edital nº 19
O que será a crônica? Esse gênero de literatura ligado ao
jornal está entre nós há mais de um século e se aclimatou com
tanta naturalidade, que parece nosso. Despretensiosa,
próxima da conversa e da vida de todo dia, a crônica tem sido,
salvo alguma infidelidade mútua, companheira quase que
diária do leitor brasileiro.
São vários os significados da palavra crônica. Todos,
porém, implicam a noção de tempo, presente no próprio
termo, que procede do grego chronos. Um leitor atual pode
não se dar conta desse vínculo de origem que faz dela uma
forma do tempo e da memória, um meio de representação
temporal dos eventos passados, um registro da vida escoada.
Mas a crônica sempre tece a continuidade do gesto humano
na tela do tempo.
Lembrar e escrever: trata-se de um relato em permanente
relação com o tempo, de onde tira, como memória escrita, sua
matéria principal, o que fica do vivido – uma definição que se
poderia aplicar igualmente ao discurso da história, a que um
dia ela deu lugar. Assim, a princípio ela foi crônica histórica, como a medieval: uma narração de fatos históricos segundo
uma ordem cronológica, conforme dizem os dicionários, e por
essa via se tornou uma precursora da historiografia moderna.
Enquanto gênero, a crônica supõe uma sociedade para a qual
importa experiência progressiva do tempo, um passado que
se possa concatenar significativamente, a história, enfim, e
não apenas um tempo cíclico e repetitivo, implicado noutra
forma de narrativa – o mito. Presa ao calendário dos feitos
humanos e não às façanhas dos deuses, a crônica pode
constituir o testemunho de uma vida, o documento de toda
uma época ou um meio de se inscrever a história no texto.
https://cronicabrasileira.org.br/artes-da-cronica/15103/fragmentos-sobrea-cronica. Fragmentos sobre a crônica Davi Arrigucci. Acesso em
03/03/2024. Adaptado. Considere o trecho retirado do texto:
“Enquanto gênero, a crônica supõe uma sociedade para a qual
importa experiência progressiva do tempo, um passado que
se possa concatenar significativamente, a história, enfim, e
não apenas um tempo cíclico e repetitivo, implicado noutra
forma de narrativa – o mito. ” (3º parágrafo).
Mantendo-se, em linhas gerais, o sentido original, o trecho
selecionado está reescrito de forma resumida em:
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