Questões de Concursos Públicos - UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
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Q247526
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
Sobre a Guerra Civil que levou à decapitação do Rei Charles
(o primeiro do seu nome) e o início da República da Inglaterra,
Thomas Hobbes (1588-1679) afirma: “se aqueles soldados e
todos os súditos tivessem agido sob o comando de Sua
Majestade, a paz e a felicidade deixadas pelo Rei James teriam
permanecido. Mas o povo estava corrompido, e os
desobedientes eram considerados os melhores patriotas. Mas
como o povo se corrompeu tanto? E que tipo de pessoas eram
aquelas que os seduziram assim? Os sedutores eram de diversos
tipos. Uns eram ministros de Cristo, como se autodenominavam;
e, às vezes, em seus sermões ao povo, embaixadores de Deus;
fingindo ter o direito, concedido por Deus, de governar cada um
a sua paróquia, a sua assembleia e a nação inteira”.
HOBBES, Thomas. Behemoth. In: Thomas Hobbes. The english work of
Thomas Hobbes. Vol. VI. London: John Bohn, 1840., p. 166s. (Adaptado).
Sobre a relação da vontade pública e a retórica do patriotismo e
do uso de Deus no discurso político, é correto afirmar que
Q247525
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
Ano: 2025
Órgão:
UECE
Banca:
UECE-CEV
Matéria:
Direito Internacional Público
Assunto: Direito Internacional e Direito Interno: teorias em confronto, monismo e dualismo
“234. De acordo com a Convenção sobre Genocídio, um
Estado-Parte é obrigado a prevenir o genocídio, a não cometer
ou incitar a prática de genocídio e a punir. Um Estado é
responsável por um ato ou omissão de um órgão cuja conduta
lhe seja imputável, por sua falha em prevenir o genocídio, pela
prática ou incitação ao genocídio, ou por sua falha em punir a
prática de genocídio. (...) 240. A Comissão conclui, portanto, que
o Estado de Israel é responsável pela prática de genocídio contra
os palestinos em Gaza como um grupo, nomeadamente pelos
atos enumerados nos artigos II(a)-(d) da Convenção sobre
Genocídio: (a) matar membros do grupo; (b) causar danos físicos
ou mentais graves aos membros do grupo; (c) impor
deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para
provocar sua destruição física, no todo ou em parte; e (d) impor
medidas destinadas a impedir nascimentos dentro do grupo”.
UN, HUMAN RIGHTS COUNCIL. Legal analysis of the conduct of Israel in
Gaza pursuant to the Convention on the Prevention and Punishment of
the Crime of Genocide. In: Conference room paper of the Independent
International Commission of Inquiry on the Occupied Palestinian Territory,
including East Jerusalem, and Israel. 16 September 2025., §234, §240.
(Adaptado).
“Se o Direito internacional e o Direito nacional formam um
sistema unitário, então a relação entre eles tem de ajustar-se a
uma das duas formas expostas. O Direito internacional tem de
ser concebido, ou como uma ordem jurídica delegada pela ordem
jurídica estatal e, por conseguinte, como incorporada nesta, ou
como uma ordem jurídica total que delega nas ordens jurídicas
estatais, supraordenada a estas e abrangendo-as a todas como
ordens jurídicas parciais. Ambas estas interpretações da relação
que intercede entre o Direito internacional e o Direito nacional
representam uma construção monista. A primeira significa o
primado da ordem jurídica de cada Estado, a segunda traduz o
primado da ordem jurídica internacional”.
KELSEN, Hans. Teoria Pura do Direito. Trad. João Baptista Machado. São
Paulo: Martins Fontes, 2003., p. 369s. (Adaptado).
Acima, o primeiro texto estabelece as linhas de um caso
particular em que o Estado e a Lei internacional se encontram em
conflito. O segundo texto traz duas interpretações segundo as
quais os Direitos internacional e nacional constituem uma
unidade normativa. Com base nos textos, é correto dizer, sobre a
eficácia do Direito internacional (Declaração dos Direitos
Humanos, Convenção sobre o Genocídio etc.) e os Estados
particulares, que
Q247524
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“O conhecimento de causa e efeito que surge da empiria
não é, em nenhum caso, alcançado por meio de raciocínios
analíticos a priori (necessários), mas provém inteiramente da
experiência, sendo sintéticos a posteriori (contingentes).”
HUME, David. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os
princípios morais. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo:
Ed.UNESP, 2004., p. 55. (Adaptado).
Marcondes Falcão Maia, cantor, compositor e humorista
cearense, conhecido nacionalmente como Falcão, costuma usar
redundâncias e tautologias (A=A) em suas músicas, com fins
cômicos. Os exemplos (i) “homem é homem, menino é menino” e
(ii) “a minha mãe é a mulher do meu pai” são, respectivamente,
juízos afirmativos dos tipos
Q247523
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
Judá Abravanel (1460-1530), também conhecido como
Leão Hebreu, foi um judeu sefardita nascido em Lisboa e
reconhecido por seu Diálogo sobre o Amor, onde afirma que “o
mundo é produzido à maneira de um filho, a partir da beleza
suprema do pai e da sabedoria suprema da mãe, que gera o belo
universo. E este é o significado do enamoramento de que fala
Salomão no Cântico dos Cânticos: a sabedoria ama o belo, pois é
produzida e inferior ao pai, portanto você verá que ela sempre o
chama de ‘meu amado’ como inferior, e ele nunca a chama de
‘amada’, mas ‘minha companheira, minha pomba, minha
perfeita, minha irmã’, como superior. Mas com seu amor ela se
torna plena; e remove a esterilidade ao engravidar, e dá à luz a
perfeição do universo: mas o amor nele não é para adquirir a
perfeição, porque ele não pode alcançá-la, mas para adquiri-la
para o universo, gerando-o como filho de ambos”.
ABRAVANEL, Judá. Dialoghi d'amore. Roma: Gius. Laterza & Figli, 2008.,
p. 342. (Adaptado).
Abravanel reconstrói a concepção platônica de amor, juntando
isso com o Ketuvim (Escritos) do Tanah (Bíblia Judaica). Isso
posto, é correto dizer que
Q247522
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
No Banquete (203b-204a), Platão nos remete à concepção
de Amor (Eros) proposta pela filósofa Diotima de Mantineia, que
ensinou Sócrates sobre tal assunto: “porque filho do Diligente
(Póros) e da Pobreza (Pênia), tocaram-lhe os seguintes
predicados: tendo herdado a natureza da mãe, é companheiro
eterno da indigência. Por outro lado, como filho de tal pai,
vive a cogitar ardis para apanhar tudo o que é belo e bom; é
bravo, audaz, expedito, excelente caçador de homens, fértil em artifícios, amigo da sabedoria, sagaz, mágico e sofista. Por
natureza, nem é mortal nem imortal, porém num só dia floresce
e vive, ou morre para renascer logo depois. O que adquire hoje,
perde amanhã, de forma que Amor nunca é rico nem pobre e se
encontra sempre a meio caminho da sabedoria e da ignorância”.
PLATÃO. O banquete. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: Ed.UFPA, 2018.,
p. 145ss. (Adaptado).
Sobre a perspectiva de Diotima, segundo Platão, é correto
afirmar que o amor é
Q247521
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
Ano: 2025
Órgão:
UECE
Banca:
UECE-CEV
Matéria:
Sociologia
Assunto: Estratificação e desigualdade social
“Ora, na medida em que nós negros estamos na lata de lixo
da sociedade brasileira, pois assim o determina a lógica da
dominação, caberia uma indagação: por que o negro é isso que a
lógica da dominação tenta (e consegue muitas vezes, nós o
sabemos) domesticar? E o risco que assumimos aqui é o ato de
falar com todas as implicações. Exatamente porque temos sido
falados, infantilizados, que neste trabalho assumimos nossa
própria fala. Ou seja, o lixo vai falar, e numa boa.”
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: Lélia
Gonzalez. Primavera para as rosas negras: Lélia Gonzalez em primeira
pessoa. Diáspora Africana: Editora Filhos da África, 2018., p. 193.
(Adaptado).
Lélia Gonzalez (1935-1994) propõe, no trecho acima, uma
contranarrativa sobre a emancipação dos negros no Brasil, com a
compreensão de que
Q247520
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“Corre à boca pequena que Lilith, após assaltar o paraíso,
vive em todos os lugares, em todos os espíritos livres e em todos
os sonhos de liberdade. Lilith é a festa que não dorme nos céus,
na terra e nos infernos, o que seria alegria de viver o que é
DEUS.”
BRAGA, Eduardo Nobre. O fascismo para além da circunscrição ética.
2018. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Curso de Mestrado
Acadêmico em Filosofia, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza,
2018., p. 34. (Adaptado).
Eduardo Braga apresenta uma alegoria da liberdade em seu
texto, onde subjaz uma compreensão marxista da divisão do
trabalho masculino e feminino. Lilith, a primeira mulher na
Kabbalah judaica, que vinda do pó como Adão, não se submeteu
ao domínio patriarcal e se rebelou, simboliza, nessa proposta
narrativa, a liberdade. Com base nessa alegoria, assinale a
afirmação verdadeira.
Q247519
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“A referência à arte pode, então, ser estrategicamente
utilizada tanto como exemplo de um ato de resistência contra os
dispositivos de poder em ação, isto é, acentuando a dimensão
crítica do gesto criador, seja como observação, em
contraposição, daquilo em que se concentrou e se tornou
tangível, a episteme de uma época.”
RAVEL, Judith. Dicionário Foucault. Trad. Anderson Alexandre da Silva. Rio
de Janeiro: Forense Universitária, 2011., p. 14. (Adaptado).
A arte é um tema recorrente da primeira fase do pensamento de
Foucault, sendo inseparável de sua teoria da disciplina. Diante
disso, a arte é entendida como
Q247518
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“O panteísmo grego, representado pela Escola Eleática,
explica, em virtude da doutrina adotada por esta, uma das fases
mais progressistas, senão a mais progressista, do pensamento
helênico. Seu aspecto crítico à orientação que seguia, até então,
a filosofia pré-socrática, traduz o início da resistência objetiva ao
caráter mítico-religioso que inspirava as ideias da época, apesar
de algumas transformações já havidas.”
NOGUEIRA, Alcantara. Ideias vivas e ideias mortas. Rio de Janeiro:
Simões Editora, 1957. p. 88. (Adaptado).
A Escola Eleática, representada por Parmênides, Zenão e Melisso,
se notabiliza por uma doutrina que separa o saber da verdade
(alétheia) do saber da opinião (dóxa). O saber da verdade é
aquele que busca aquilo que é, ou seja, o Ser, que é uno,
imutável, eterno e incorruptível. A opinião se sustenta no
conhecimento sensível e na concepção de mudança e movimento
das coisas. Portanto, a crítica ganha um caráter central na
doutrina dos eleatas. Isso posto, na perspectiva de Nogueira,
Q247517
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades
até então reputadas como dignas e encaradas com piedoso
respeito. Fez do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do
sábio seus servidores assalariados. A burguesia não pode existir
sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produção,
por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as
relações sociais. E isto se refere tanto à produção material como
à produção intelectual.”
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. Trad. Manifesto
Álvaro Pina e Ivana Jinkings. São Paulo: Boitempo, 2010., p. 42s
(Adaptado).
A compreensão da produção intelectual é parte considerável da
teoria marxista da reprodução social, sendo inalienável da
reflexão da Teoria Crítica. A produção artística, nesse sentido,
não passa despercebida. Diante disso, é correto afirmar que