Questões de Concursos Públicos - USP
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Q223372
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
“Testemunhamos, efectivamente, a crescente colonização
administrativa do tempo e do espaço dos docentes, no âmbito
dos quais o tempo monocrónico e técnico-racional se
transforma num tempo hegemónico.”
HARGREAVES, Andy. Os professores em tempos de mudança: o trabalho e a
cultura dos professores na idade pós-moderna. Lisboa: McGraw Hill, 1998,
p. 126
Qual a principal consequência da crescente colonização
administrativa sobre a prática docente?
Q223371
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
“Você encontrará aí, sobretudo, a afirmação implícita, mas
incessantemente retomada, de que os conhecimentos são
coisas e, como todas as coisas, são adquiridos e possuídos, são
acumulados e deles é feito o inventário, são abandonados
quando são quebrados, inúteis ou perigosos para serem
substituídos por outros inteiramente novos e perfeitamente
adaptados; são empilhados a partir dos maiores, dos mais
sólidos e, por cima destes, aos poucos, os mais finos e os mais
complexos... como as coisas, os conhecimentos são aqui bens
que o trabalho permite obter e que é preciso merecer; pois,
como para as coisas, e como é justo, se você não tem os
conhecimentos, só deve se queixar a si mesmo, já que as
oportunidades lhe foram certamente oferecidas e você as
deixou escapar.”
MEIRIEU, Philippe. Aprender... sim, mas como? Porto Alegre: Artmed, 1998
Phillippe Meirieu ironiza certas concepções de aprendizagem
para defender uma concepção
Q223370
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
Relacione os dois excertos a seguir e responda à questão
proposta:
“Devido ao cruzamento de dimensões, conflitos e realidades
que se manifestam no estudo do currículo, esse é um
importante campo de pesquisa. Nesse debate, encontramos
diversas linhas de trabalho fundamentais: a) a sociologia do
currículo, discutindo os valores implícitos nos currículos
dominantes; b) a incipiente história do currículo, que começa
a acompanhar o curso da configuração do que entendemos
como matérias de estudo; c) as críticas à racionalidade
moderna, as quais têm posto em evidência suas carências e a
ocultação de culturas, públicos e relatos ignorados; d) o
debate sobre a profissionalização do conhecimento; e e) o
enfrentamento entre a educação como necessidade de
assimilação de cultura e uma perspectiva educacional que visa
ao desenvolvimento individual, os interesses do aluno e os
significados subjetivos da cultura.”
GIMENO SACRISTÁN. O que significa o currículo? In: GIMENO SACRISTÁN, J.
(Org.) Saberes e incertezas sobre o currículo. Porto Alegre: Penso, 2013, p. 34
“A ideia (ainda muito presente no senso comum
educacional) de que a qualidade do desenvolvimento
curricular, e da educação de uma maneira geral, depende de
uma definição precisa dos objetivos a serem implementados
– e, por conseguinte, do perfil de profissional, de cidadão ou
de sujeito social que se pretende formar – é sintonizada com
esse pensamento de que o currículo existe para atender às
finalidades sociais do modelo produtivo dominante. [...]
Considera, sim, que a definição dos objetivos, a partir de uma
concepção empírico-positivista de ciência, pode estabelecer o
controle neutro do trabalho realizado. Por isso o caráter
comportamental de um objetivo é defendido, na medida em
que o comportamento do aluno – como expressão objetiva,
sem ambiguidades e inequívoca do produto do processo
educacional – garantiria a possibilidade de avaliação da
eficiência desse processo”.
LOPES, Alice C. Políticas de integração curricular. Rio de Janeiro: Editora
UERJ, 2008, p. 66-67
Qual das concepções de currículo apresentadas por Gimeno
Sacristán expressa de maneira mais adequada a crítica
estabelecida por Alice Lopes?
Q223369
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
“Um dos principais desafios da democracia consiste em
desenvolver mecanismos de explicitação e mediação de
conflitos, sem que eles se traduzam em violência ou em
desagregação da sociabilidade.”
GALVÃO, Izabel. Conflitos no cotidiano escolar. In: CARVALHO, José Sergio
Fonseca de. Educação, cidadania e direitos humanos. Petrópolis: Vozes,
2004, p. 191
Os conflitos são inerentes ao cotidiano educacional e podem
se manifestar de maneira positiva, como motores, ou
negativa, como sintomas. Assinale a alternativa que indica,
respectivamente, um aspecto positivo e um negativo do
conflito escolar.
Q223368
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
“Num mundo no qual argumentos racistas explícitos podem
causar constrangimento, como explicar a perpetuação de uma
parcela da população nesse limbo? Pelo recurso a versões
ambientalistas do desenvolvimento humano, reservando-se
ao termo “ambiente” uma concepção acrítica, compatível ao
mesmo tempo com uma visão biologizada da vida social e com
uma definição etnocêntrica de cultura: de um lado o ambiente
é praticamente reduzido a estimulação sensorial proveniente
do meio físico; de outro, valores, crenças, normas, hábitos e
habilidades tidos como típicos das classes dominantes são
considerados como os mais adequados à promoção de um
desenvolvimento psicológico sadio.”
PATTO, Maria Helena S. A produção do fracasso escolar: histórias de
submissão e rebeldia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1997, p. 48
Maria Helena Patto critica a teoria da carência cultural, que,
empregada na educação, gera argumentos estigmatizados
para justificar o fracasso escolar
Q223367
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
“O excesso dos discursos esconde a pobreza das práticas
politicas. [...] Por um lado, os professores são olhados com
desconfiança, acusados de serem profissionais medíocres e de
terem uma formação deficiente; por outro lado, são
bombardeados com uma retorica cada vez mais abundante
que os considera elementos essenciais para a melhoria da
qualidade do ensino e para o progresso social e cultural.”
NÓVOA, António. Os professores na virada do milênio: do excesso dos
discursos à pobreza das práticas. Revista Educação e Pesquisa, v.25, n.01,
jan/jun, São Paulo, Faculdade de Educação da USP, 1999, p. 13-14
António Nóvoa analisa a realidade discursiva centrada na
lógica excesso-pobreza aplicada ao exame da situação dos
professores. Sobre as políticas educativas, o autor sinaliza
Q223366
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
Devido ao papel do professor no processo de aprendizagem,
qual das alternativas, a seguir, expressa adequadamente a
abordagem proposta por Antoni Zabala?
Q223365
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
Recomenda-se para o adequado planejamento e avaliação
das sequências didáticas, a partir das diretrizes propostas no
texto,
Q223364
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
“Como dissemos anteriormente, o fundamental é
municipalizar a preocupação com o problema educacional e
isso não será feito por nenhuma providência legal. A
municipalização precisa consistir num movimento de
convocação e mobilização de todos os setores da sociedade
local no sentido de salvação da escola pública. E isso,
evidentemente, só tangencialmente está ligado à
administração do ensino e à construção ou reforma de
prédios escolares. Dentre os fatores desencadeantes da crise
da escola pública há componentes psicossociais muito fortes
e que poderiam ser designados pela expressão ‘falta de
compromisso com a escola pública’. Falta de compromisso
profissional e político do magistério e falta de compromisso
cívico de toda a comunidade. É uma questão de mentalidade.
Não há mais tempo a perder. Em matéria de educação pública
atingimos um ponto limite.
AZANHA, José M. Educação: temas polêmicos. São Paulo: Martins Fontes,
1995, p. 113-114
Azanha se posicionou em relação aos debates sobre a
municipalização do ensino, defendendo que o processo
Q223363
FUVEST - 2024 - USP - Educador - Especialidade: Pedagogia - Edital nº 7
“Pode-se pensar em avaliação em dois sentidos: avaliação
de um produto e avaliação de um processo. A avaliação de um
produto, sobretudo material, é praticamente imediata e
isenta de grandes dificuldades. Quando, porém, temos diante
de nós um produto específico chamado ‘aluno educado’, sua
avaliação não é nada simples. A constituição desse produto é
tão complexa, que não é possível avaliá-lo imediatamente.”
PARO, V. H. Avaliação e repetência. In: CARVALHO, José Sergio Fonseca
de. Educação, cidadania e direitos humanos. Petrópolis: Vozes, 2004, p. 250
Dadas as dificuldades de avaliar o produto “aluno educado”,
o autor defende uma avaliação processual, que é
adequadamente desenvolvida