Questões de Concursos Públicos - Filosofia
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Q247530
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“Como os laços tradicionais dos nativos constituem a
muralha mais forte de sua organização social e a base de suas
condições materiais de existência, o método inicial do capital é a
destruição e o aniquilamento sistemáticos das estruturas sociais
não capitalistas, com que tropeça em sua expansão. Cada nova
expansão colonial é acompanhada, naturalmente, dessa luta
encarniçada do capital contra a situação social e econômica dos
nativos. O capital só conhece, como solução para esse problema,
o uso da violência, que constitui um método permanente da
acumulação de capital no processo histórico, desde sua origem
até os nossos dias. Mas, para as sociedades arcaicas, trata-se de
uma questão de vida ou morte, e como não há outra saída,
resiste e luta até o seu total esgotamento ou extinção.”
LUXEMBURGO, Rosa. A acumulação do capital. Trad. Luiz Alberto Moniz
Bandeira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021., p. 367s. (Adaptado). Sobre a perspectiva de Rosa Luxemburgo (1871-1919), é correto
dizer que
Q247527
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
Sobre as visões alegóricas de Hildegard von Bingen (1098-
1179), filósofa e mística medieval, pode-se dizer que “animais e
monstros aparecem como sinais da natureza e de Deus que a
razão precisa compreender. Animais desfilam como formas
significativas, unindo os mundos inferior e superior. Símbolos
animais que apresentam seus elementos para produzir monstros
na arte combinatória da alegoria, imagens da mais radical
dissimilaridade, adequadas para representar tanto o diabo
quanto Deus”.
CIRLOT, Victoria. Hildegard von Bingen y la tradición visionaria de
Occidente. Barcelona: Herder Editorial, S.L., 2005., p. 94. (Adaptado).
Santa Hildegard se insere na grande tradição da filosofia
alegórica. Sobre o trecho acima, é correto dizer que
Q247526
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
Sobre a Guerra Civil que levou à decapitação do Rei Charles
(o primeiro do seu nome) e o início da República da Inglaterra,
Thomas Hobbes (1588-1679) afirma: “se aqueles soldados e
todos os súditos tivessem agido sob o comando de Sua
Majestade, a paz e a felicidade deixadas pelo Rei James teriam
permanecido. Mas o povo estava corrompido, e os
desobedientes eram considerados os melhores patriotas. Mas
como o povo se corrompeu tanto? E que tipo de pessoas eram
aquelas que os seduziram assim? Os sedutores eram de diversos
tipos. Uns eram ministros de Cristo, como se autodenominavam;
e, às vezes, em seus sermões ao povo, embaixadores de Deus;
fingindo ter o direito, concedido por Deus, de governar cada um
a sua paróquia, a sua assembleia e a nação inteira”.
HOBBES, Thomas. Behemoth. In: Thomas Hobbes. The english work of
Thomas Hobbes. Vol. VI. London: John Bohn, 1840., p. 166s. (Adaptado).
Sobre a relação da vontade pública e a retórica do patriotismo e
do uso de Deus no discurso político, é correto afirmar que
Q247524
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“O conhecimento de causa e efeito que surge da empiria
não é, em nenhum caso, alcançado por meio de raciocínios
analíticos a priori (necessários), mas provém inteiramente da
experiência, sendo sintéticos a posteriori (contingentes).”
HUME, David. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os
princípios morais. Trad. José Oscar de Almeida Marques. São Paulo:
Ed.UNESP, 2004., p. 55. (Adaptado).
Marcondes Falcão Maia, cantor, compositor e humorista
cearense, conhecido nacionalmente como Falcão, costuma usar
redundâncias e tautologias (A=A) em suas músicas, com fins
cômicos. Os exemplos (i) “homem é homem, menino é menino” e
(ii) “a minha mãe é a mulher do meu pai” são, respectivamente,
juízos afirmativos dos tipos
Q247523
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
Judá Abravanel (1460-1530), também conhecido como
Leão Hebreu, foi um judeu sefardita nascido em Lisboa e
reconhecido por seu Diálogo sobre o Amor, onde afirma que “o
mundo é produzido à maneira de um filho, a partir da beleza
suprema do pai e da sabedoria suprema da mãe, que gera o belo
universo. E este é o significado do enamoramento de que fala
Salomão no Cântico dos Cânticos: a sabedoria ama o belo, pois é
produzida e inferior ao pai, portanto você verá que ela sempre o
chama de ‘meu amado’ como inferior, e ele nunca a chama de
‘amada’, mas ‘minha companheira, minha pomba, minha
perfeita, minha irmã’, como superior. Mas com seu amor ela se
torna plena; e remove a esterilidade ao engravidar, e dá à luz a
perfeição do universo: mas o amor nele não é para adquirir a
perfeição, porque ele não pode alcançá-la, mas para adquiri-la
para o universo, gerando-o como filho de ambos”.
ABRAVANEL, Judá. Dialoghi d'amore. Roma: Gius. Laterza & Figli, 2008.,
p. 342. (Adaptado).
Abravanel reconstrói a concepção platônica de amor, juntando
isso com o Ketuvim (Escritos) do Tanah (Bíblia Judaica). Isso
posto, é correto dizer que
Q247522
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
No Banquete (203b-204a), Platão nos remete à concepção
de Amor (Eros) proposta pela filósofa Diotima de Mantineia, que
ensinou Sócrates sobre tal assunto: “porque filho do Diligente
(Póros) e da Pobreza (Pênia), tocaram-lhe os seguintes
predicados: tendo herdado a natureza da mãe, é companheiro
eterno da indigência. Por outro lado, como filho de tal pai,
vive a cogitar ardis para apanhar tudo o que é belo e bom; é
bravo, audaz, expedito, excelente caçador de homens, fértil em artifícios, amigo da sabedoria, sagaz, mágico e sofista. Por
natureza, nem é mortal nem imortal, porém num só dia floresce
e vive, ou morre para renascer logo depois. O que adquire hoje,
perde amanhã, de forma que Amor nunca é rico nem pobre e se
encontra sempre a meio caminho da sabedoria e da ignorância”.
PLATÃO. O banquete. Trad. Carlos Alberto Nunes. Belém: Ed.UFPA, 2018.,
p. 145ss. (Adaptado).
Sobre a perspectiva de Diotima, segundo Platão, é correto
afirmar que o amor é
Q247520
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“Corre à boca pequena que Lilith, após assaltar o paraíso,
vive em todos os lugares, em todos os espíritos livres e em todos
os sonhos de liberdade. Lilith é a festa que não dorme nos céus,
na terra e nos infernos, o que seria alegria de viver o que é
DEUS.”
BRAGA, Eduardo Nobre. O fascismo para além da circunscrição ética.
2018. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Curso de Mestrado
Acadêmico em Filosofia, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza,
2018., p. 34. (Adaptado).
Eduardo Braga apresenta uma alegoria da liberdade em seu
texto, onde subjaz uma compreensão marxista da divisão do
trabalho masculino e feminino. Lilith, a primeira mulher na
Kabbalah judaica, que vinda do pó como Adão, não se submeteu
ao domínio patriarcal e se rebelou, simboliza, nessa proposta
narrativa, a liberdade. Com base nessa alegoria, assinale a
afirmação verdadeira.
Q247519
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“A referência à arte pode, então, ser estrategicamente
utilizada tanto como exemplo de um ato de resistência contra os
dispositivos de poder em ação, isto é, acentuando a dimensão
crítica do gesto criador, seja como observação, em
contraposição, daquilo em que se concentrou e se tornou
tangível, a episteme de uma época.”
RAVEL, Judith. Dicionário Foucault. Trad. Anderson Alexandre da Silva. Rio
de Janeiro: Forense Universitária, 2011., p. 14. (Adaptado).
A arte é um tema recorrente da primeira fase do pensamento de
Foucault, sendo inseparável de sua teoria da disciplina. Diante
disso, a arte é entendida como
Q247518
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“O panteísmo grego, representado pela Escola Eleática,
explica, em virtude da doutrina adotada por esta, uma das fases
mais progressistas, senão a mais progressista, do pensamento
helênico. Seu aspecto crítico à orientação que seguia, até então,
a filosofia pré-socrática, traduz o início da resistência objetiva ao
caráter mítico-religioso que inspirava as ideias da época, apesar
de algumas transformações já havidas.”
NOGUEIRA, Alcantara. Ideias vivas e ideias mortas. Rio de Janeiro:
Simões Editora, 1957. p. 88. (Adaptado).
A Escola Eleática, representada por Parmênides, Zenão e Melisso,
se notabiliza por uma doutrina que separa o saber da verdade
(alétheia) do saber da opinião (dóxa). O saber da verdade é
aquele que busca aquilo que é, ou seja, o Ser, que é uno,
imutável, eterno e incorruptível. A opinião se sustenta no
conhecimento sensível e na concepção de mudança e movimento
das coisas. Portanto, a crítica ganha um caráter central na
doutrina dos eleatas. Isso posto, na perspectiva de Nogueira,
Q247517
UECE-CEV - 2025 - UECE - Filosofia e Sociologia - 2ª Fase - 2º Dia (1º Semestre de 2026)
“A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades
até então reputadas como dignas e encaradas com piedoso
respeito. Fez do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do
sábio seus servidores assalariados. A burguesia não pode existir
sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produção,
por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as
relações sociais. E isto se refere tanto à produção material como
à produção intelectual.”
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto Comunista. Trad. Manifesto
Álvaro Pina e Ivana Jinkings. São Paulo: Boitempo, 2010., p. 42s
(Adaptado).
A compreensão da produção intelectual é parte considerável da
teoria marxista da reprodução social, sendo inalienável da
reflexão da Teoria Crítica. A produção artística, nesse sentido,
não passa despercebida. Diante disso, é correto afirmar que