Q707
IV - UFG - 2026 - Prefeitura de Gameleira de Goiás - GO - Professor de História
Leia o texto a seguir.
Segundo meu avô – gosto sempre de repetir – o único tempo
que temos é o tempo presente. Ele até perguntava com certa
frequência: por que o presente se chama presente? Dava um
pouco de tempo e depois respondia: é porque é um presente
que ganhamos do Criador. Quem ganha um objeto de presente
tem que abrir na mesma hora para poder dar alegria a quem o
deu. A vida é o presente que o Grande Espírito nos dá todos os
dias, e viver esse presente alegra o coração do nosso Pai
Primeiro. Meu avô era como um sábio que possuía todo o
conhecimento de nossa gente. Qualquer coisa que a gente
queria saber era só recorrer a ele que logo tinha uma história
para contar. Foi ele que me ensinou que era preciso, de vez em
quando, mudar. Disse isso pensando no rio. Fez-me olhar o rio
que corria.
MUNDURUKU, Daniel. Antologia de contos indígenas de ensinamento: tempo
de histórias. São Paulo: Moderna, 2005, p.19.
O trecho citado foi extraído de uma obra que compõe um
conjunto de narrativas, textos, poemas, cantos, mitos,
histórias orais, performances e produções escritas
elaboradas por autores e autoras pertencentes aos diversos
povos indígenas. Ela se caracteriza por expressar
cosmovisões próprias, valores, memórias coletivas, modos
de viver, relações com a natureza, com o território e com o
sagrado, além de refletir questões políticas, históricas e
identitárias desses povos. Trata-se da literatura
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