Q251009
FURB - 2025 - SED-SC - Professor - Língua Portuguesa e Literatura - Edital nº 3.021
"Entendo aqui por humanização (já que tenho falado
tanto nela) o processo que confirma no homem aqueles
traços que reputamos essenciais como o exercício da
reflexão, a aquisição do saber, a boa disposição para
com o próximo, o afinamento das emoções, a
capacidade de penetrar nos problemas da vida, o senso
da beleza, a percepção a complexidade do mundo e dos
seres, o cultivo do humor. A literatura desenvolve em nós
a quota de humanidade na medida em que nos torna
mais compreensivos e abertos para a natureza, a
sociedade, o semelhante."
(Antonio Candido, O direito à literatura. In: Vários escritos. Rio de
Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011, p. 180.)
"[...] Minha mãe diz que comecei a ler aos dois anos de
idade, embora eu ache que quatro deva estar mais
próximo da verdade. Eu me tornei leitora cedo, e o que
lia eram livros infantis britânicos e americanos.
Também me tornei escritora cedo. Quando comecei a
escrever, lá pelos sete anos de idade — textos escritos a
lápis com ilustrações feitas com giz de cera que minha
pobre mãe era obrigada a ler —, escrevi exatamente o
tipo de história que lia: todos os meus personagens eram
brancos de olhos azuis, brincavam na neve, comiam
maçãs e falavam muito sobre o tempo e sobre como era
bom o sol ter saído.
Escrevia sobre isso apesar de eu morar na Nigéria. Eu
nunca tinha saído do meu país. Lá, não tinha neve,
comíamos mangas e nunca falávamos do tempo, porque
não havia necessidade. Meus personagens também
bebiam muita cerveja de gengibre, porque os
personagens dos livros britânicos que eu lia bebiam
cerveja de gengibre. Não importava que eu não fizesse
ideia do que fosse cerveja de gengibre. [...]
Como eu só tinha lido livros nos quais os personagens
eram estrangeiros, tinha ficado convencida de que os
livros, por sua própria natureza, precisavam ter
estrangeiros e ser sobre coisas com as quais eu não
podia me identificar. Mas tudo mudou quando descobri
os livros africanos. [...] Percebi que pessoas como eu,
meninas com pele cor de chocolate, cujo cabelo crespo
não formava um rabo de cavalo, também podiam existir na literatura. [...]
Eu amava aqueles livros americanos e britânicos que lia.
Eles despertaram minha imaginação. Abriram mundos
novos para mim, mas a consequência não prevista foi
que eu não sabia que pessoas iguais a mim podiam
existir na literatura. O que a descoberta de escritores
africanos fez por mim foi isto: salvou-me de ter uma
história única sobre o que são os livros. [...]
É assim que se cria uma história única: mostre um povo
como uma coisa, uma coisa só, sem parar, e é isso que
esse povo se torna."
(Chimamanda Ngozi Adichie, O perigo de uma história única. São
Paulo: Companhia das Letras, 2009.)
A partir da leitura dos excertos e de seus conhecimentos
a respeito de letramentos literários, do ensino de
literatura e das legislações e documentos que estruturam
a educação básica no Brasil, analise as sentenças a
seguir:
I.O ensino de literatura deve organizar-se a partir das
obras canônicas, uma vez que há, no cânone, uma
presença diversa de autores contemplando a diversidade
étnico-racial que compõe o país. Desse modo, tem-se
representatividade na literatura afro-brasileira a partir de
escritores consagrados, como Machado de Assis, Lima
Barreto e o poeta catarinense Cruz e Souza.
II.O ensino de literatura tem papel relevante dentro do
contexto multicultural que forma o Brasil. A experiência
literária nos permite saber da vida por meio da
experiência, do olhar e da cultura do outro, assim como
vivenciar essa experiência, ou seja, por meio da literatura
é possível encontrar olhares diversos sobre a sociedade,
a cultura e o próprio indivíduo representado,
corroborando a construção de uma sociedade
organizada horizontalmente em valores que abrangem
todas as camadas sociais culturais.
III.Enquanto objeto de estudo das aulas de literatura, é
importante que a diversidade cultural seja vista sob uma
ótica teórico-crítica, reconhecendo-a como um objeto de
valor e não como uma produção excêntrica. Portanto, é
preciso sair das produções sobre os negros e indígenas
para uma produção dos negros e dos indígena. É correto o que se afirma em:
Estatísticas
Seja o primeiro a enviar uma resposta para esta pergunta.
Questoes: FURB - 2025 - SED-SC - Professor - Língua Portuguesa e Literatura - Edital nº 3.021