Segundo Dalgalarrondo (2019, p. 80), discute-se muito sobre o valor e os limites do diagnóstico em saúde mental e apontase dois posicionamentos acerca do diagnóstico em psicopatologia. São eles:
A
A primeira afirma que o diagnóstico em saúde mental não tem valor algum, pois cada pessoa é uma realidade única e inclassificável. O diagnóstico apenas serviria para rotular as pessoas diferentes, excêntricas, permitindo e legitimando o poder médico, o controle social sobre o indivíduo desadaptado ou questionador. Essa crítica é particularmente válida nos regimes políticos totalitários, quando se utilizou o diagnóstico psiquiátrico para punir e excluir pessoas dissidentes ou opositoras ao regime. Já a segunda posição, em defesa do diagnóstico em saúde mental, sustenta que seu valor e seu lugar são absolutamente semelhantes aos do diagnóstico nas outras áreas e especialidades médicas. O diagnóstico, nessa visão, é o elemento principal e mais importante da prática psiquiátrica.
B
A primeira posição refere-se a aspectos e fenômenos encontrados em todos os seres humanos, o que não pode-se colocar limites. Fazem parte de uma categoria ampla demais para a valoração do diagnóstico, sendo pouco útil seu estudo taxonômico. De modo geral, em todos os indivíduos, a privação das horas de sono causa sonolência, e a restrição alimentar, fome; ou seja, são fenômenos triviais que não despertam grande interesse à psicopatologia, mas ajudam no diagnóstico. E a segunda posição aborda que há aspectos e fenômenos encontrados em algumas pessoas e isso limita o diagnóstico, mas não em todas. Estes são os fenômenos de maior interesse para a classificação diagnóstica em psicopatologia e diagnóstico por ter uma valor relevante para a compreensão do diagnóstico. Aqui, situam-se a maioria dos sinais, sintomas e transtornos mentais.
C
Um posicionamento refere-se à forma dos sintomas, isto é, sua estrutura básica, relativamente semelhante nos diversos pacientes e nas diversas sociedades (a forma "alucinação", "delírio", "ideia obsessiva", "fobia" etc.) que contribuem positivamente para o diagnóstico, diante dos valores e limites da compreensão diagnóstica e seu conteúdo. Outro posicionamento é quanto à estrutura dos sintomas, ou melhor, aquilo que preenche a alteração estrutural (o conteúdo de culpa, religioso, de perseguição, de um delírio, de uma alucinação ou de uma ideia obsessiva, por exemplo).
D
Para a psiquiatria descritiva, interessa fundamentalmente a descrição das formas de alterações psíquicas, as estruturas dos sintomas, aquilo que caracteriza e descreve a vivência patológica como sintoma mais ou menos típico. Já para a psiquiatria dinâmica interessa o conteúdo das vivências, os movimentos internos de afetos, desejos e temores do indivíduo, sua experiência particular, pessoal, singular, não necessariamente classificável em sintomas previamente descritos.
E
A perspectiva médico-naturalista trabalha com uma noção de ser humano centrada no corpo, no ser biológico como espécie natural e universal. Assim, o adoecimento mental é visto como um mau funcionamento do cérebro, uma desregulação, uma disfunção de alguma parte ou sistema do “aparelho biológico” e isto não limita o diagnóstico. Já na perspectiva existencial, o paciente é visto principalmente como “existência singular”, como ser lançado a um mundo que é apenas natural e biológico na sua dimensão elementar, mas que é fundamentalmente histórico e humano, o que contribui para a valoração do diagnóstico.