Q213212
FCC - 2024 - SEAD-PI - Analista Governamental - Especialidade: Planejamento e Orçamento
Em seus inúmeros e instigantes ensaios sobre a natureza do subdesenvolvimento, Celso Furtado alerta para os riscos de que
dinâmicas de modernização, embaladas pelo ritmo vertiginoso da diversificação do consumo, prevaleçam sobre trajetórias de
mudança estrutural, estas capazes de romper efetivamente com nossa condição periférica e seus corolários. |...] É ainda
Furtado quem nos recorda que nas economias desenvolvidas, notadamente nas europeias, o grande diferencial da expansão do
capitalismo do pós-guerra foi ter promovido um processo de equalização das oportunidades, o que levou sociedades a se
tornarem mais iguais, mais homogeneas. [...] A politica social dos anos 2000 apostou no aprofundamento e diversificação do
consumo de massa e na intervenção do Estado, visando lastrear a acumulação financeira também na esfera da reprodução
social. Essa dinâmica se acelera e se consolida, inibindo trajetórias de mudança estrutural, na contramão do recomendado por
pensadores latino-americanos que, como Celso Furtado, idealizaram a superação do subdesenvolvimento. O binômio
fortalecimento do mercado interno e industrialização foi substituido por reprimarização e financeinzação, com a preservação da
nossa arraigada heterogeneidade estrutural.
(Adaplado de: LAVINAS, Lena; GENTIL, Denise L. Brasil anos 2000: a politica social sob regência da financeirização. Novos Estudos, v.37,n.2, p. 191-211, 2018)
A contradição fundamental da trajetória do desenvolvimento econômico brasileiro mais recente de que trata o texto acima é:
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