Q199963
UFU-MG - 2023 - UFU-MG - Médico - Medicina da Família e Comunidade
A Linguagem da enrolação A queda de Minoru Yanagida, ministro da Justiça do Japão, em 22 de novembro de 2011, e o carnaval
provocado pela campanha eleitoral do palhaço Tiririca no Brasil trouxeram sugestivas indicações sobre a
linguagem. Yanagida não caiu por corrupção, escândalos, medidas impopulares ou erros técnicos, mas por sua
sinceridade (“Trop honnête pour être ministre”, foi a manchete do Le Monde) ao declarar como lidava com os
parlamentares: “Meu trabalho é fácil. Basta lembrar apenas de dizer duas frases durante as sessões do
Parlamento: ‘Não vou comentar casos específicos’ e ‘Estamos analisando o assunto de acordo com a lei e as
evidências’”.
Os deputados, furiosos, exigiram sua cabeça e ele, no ritual nipônico de desculpas, alegou que tinha
falado “meio de brincadeira”. De qualquer modo, ato imperdoável: não por se valer de técnicas de linguagem
comuns a todos os políticos, mas por entregar publicamente o código da classe.
O código, no caso, é o recurso ao genérico, ao neutro. Método sutil de se resguardar e com a vantagem
adicional de não precisar mentir descaradamente.
LAUAND, Jean. A Linguagem da enrolação. In: _______. Revelando a linguagem. São Paulo: Factash Editora, 2016. [Fragmento]
Com base no texto, é INCORRETO afirmar que a expressão “técnicas de linguagem comuns a todos os
políticos” refere-se ao uso
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