Q118204 CPCON - 2019 - Prefeitura de Monte Horebe - PB - Agente Fiscal de Obras
Ano: 2019
Banca: CPCON
Matéria: Português
Assunto: Interpretação de Textos

Leia a crônica abaixo e, em seguida, analise as proposições acerca do seu conteúdo. O padeiro Rubem Braga 1 ___ Levanto cedo, faço minhas abluções, ponho a chaleira no fogo para fazer o café e 2 abro a porta do apartamento – mas não encontro o pão costumeiro. No mesmo instante me 3 lembro de lido alguma coisa nos jornais da véspera sobre a “greve do pão dormido”. De 4 resto não é bem uma greve, é um lock-out, greve dos patrões, que suspenderam o trabalho 5 noturno; acham que obrigando o povo a tomar seu café da manhã com pão dormido 6 conseguirão não sei bem o que do governo. 7 ___ Está bem. Tomo o meu café com pão dormido, que não é tão ruim. E enquanto 8 tomo café vou me lembrando de um homem modesto que conheci antigamente. Quando 9 vinha deixar o pão à porta do apartamento ele apertava a campainha, mas, para não 10 incomodar os moradores, avisava gritando: 11 ___ - Não é ninguém, é o padeiro! 12 ___ Interroguei-o uma vez: como tivera a ideia de gritar aquilo? 13 ___ “Então você não é ninguém?” 14 ___ Ele abriu um sorriso largo. Explicou que aprendera aquilo de ouvido. Muitas 15 vezes lhe acontecera bater a campainha de uma casa e ser atendido por uma empregada ou 16 outra pessoa qualquer, e ouvir uma voz que vinha lá de dentro perguntando quem era; e 17 ouvir a pessoa que o atendera dizer para dentro: “não é ninguém, não senhora, é o 18 padeiro”. Assim ficara sabendo que não era ninguém... 19 ___ Ele me contou isso sem mágoa nenhuma, e se despediu ainda sorrindo. Eu não 20 quis detê-lo para explicar que estava falando com um colega, ainda que menos importante. 21 Naquele tempo eu também, como os padeiros, fazia o trabalho noturno. Era pela 22 madrugada que deixava a redação de jornal, quase sempre depois de uma passagem pela 23 oficina – e muitas vezes saía já levando na mão um dos primeiros exemplares rodados, o 24 jornal ainda quentinho da máquina, como pão saído do forno. 25 ___ Ah, eu era rapaz, eu era rapaz naquele tempo! E às vezes me julgava importante 26 porque no jornal que levava para casa, além de reportagens ou notas que eu escrevera sem 27 assinar, ia uma crônica ou artigo com o meu nome. O jornal e o pão estariam bem cedinho 28 na porta de cada lar; e dentro do meu coração eu recebi a lição de humildade daquele 29 homem entre todos útil e entre todos alegre; “não é ninguém, é o padeiro!”. 30 E assobiava pelas escadas. BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. 27 ed. Rio de Janeiro: Record, 2010.p. 319. I- A situação criada na crônica, de um personagem – o padeiro – não se incomodar de ser considerado “ninguém”, ou alguém sem importância, é uma forma de o cronista provocar a reflexão sobre o valor que cada pessoa/profissional tem, independentemente de o cargo simbolizar maior ou menor prestígio social. II- O cronista faz alusão a um diálogo entre dois personagens – o padeiro e a empregada – para esclarecer a origem da expressão “não é ninguém, é o padeiro”, com o propósito central de demonstrar que há discriminação entre pessoas de mesma classe social. III- A lição de humildade a que o cronista se refere não tem a ver com a negação de que o trabalho envaideça quem o realiza – tanto é que o jornalista se orgulha de ter um texto com a sua assinatura, e não diminui o trabalho do padeiro – mas com o fato de o trabalho não ser norteado pela avaliação que os outros fazem. IV- A identificação do cronista com o padeiro se dá porque, tal como a profissão de padeiro, a de jornalista que é de grande utilidade para a sociedade, já não tem, nos tempos modernos, tanto destaque, em virtude da ampla divulgação das notícias por meio das redes sociais. A alternativa que responde CORRETAMENTE é:

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