Q111352
AMAUC - 2018 - Prefeitura de Seara - SC - Professor de Língua Inglesa
Ano: 2018
Órgão:
Prefeitura de Seara - SC
Banca:
AMAUC
Matéria:
Pedagogia
Assunto: Normas Educacionais dos Estados
As crianças adquirem (pelo menos) uma língua, seja essa uma língua oral ou manual. Esse fato é
surpreendente dada a complexidade das línguas naturais. Além disso, adquirem uma língua quando
ainda são muito novas, numa fase em que mal conseguem amarrar os sapatos ou desenhar em
círculos. Ou seja, o processo de aquisição de linguagem, além de ser universal, é também rápido, uma
vez que, por volta dos quatro anos de idade, quase toda a complexidade de uma língua é aprendida.
Considerando tal complexidade das línguas naturais, questiona-se como todas as crianças adquirem
uma língua, aparentemente sem esforço algum e sem serem explicitamente ensinadas.
Como mencionado acima, toda criança normal adquire uma língua natural, sem nenhum
treinamento especial e sem um input linguístico sequenciado, ou seja, sem nenhuma preocupação
com a ordem em que as sentenças são faladas às crianças. Essa propriedade da aquisição de
linguagem, segundo Crain e Lillo-Martin (1999), é chamada de universalidade da linguagem. Embora
as línguas naturais sejam muito diversas, o curso de aquisição de linguagem é o mesmo em qualquer língua, como tem sido observado translinguisticamente. Para explicar o processo de aquisição de
linguagem, uma teoria linguística tem de dar conta dessa universalidade e responder o que é especial
sobre linguagem, e sobre as crianças, que garante que elas irão dominar um sistema de regras rico e
complexo num período em que estão apenas entrando em idade escolar.
Leias as afirmações seguintes sobre as teorias de aquisição da linguagem.
I- Chomsky adota uma postura inatista na consideração do processo por meio do qual o ser humano
adquire a linguagem. A linguagem, específica da espécie, dotação genética, é um conjunto de
comportamentos verbais que seria adquirida como resultado do desencadear de um dispositivo inato,
inscrito na mente.
II- O argumento básico de Chomsky é: num tempo bastante curto (mais ou menos dos 18 aos 24
meses), a criança, que é exposta normalmente a uma fala precária, fragmentada, cheia de frases
truncadas ou incompletas, é capaz de dominar um conjunto complexo de regras ou princípios básicos
que constituem a gramática internalizada do falante. Esse argumento, constantemente reafirmado, é
chamado de pobreza do estímulo. Um mecanismo ou dispositivo inato de aquisição da linguagem
(em Inglês, LAD, Language Acquisition Device), que elabora hipóteses gramaticais sobre dados
linguísticos primários (isto é, a língua a que a criança está exposta), gera uma gramática específica,
que é a gramática da língua nativa da criança, de maneira totalmente fácil e com um alto grau de
instantaneidade. Isto é, esse mecanismo inato faz "desabrochar" o que "já está lá", através da
projeção, nos dados do ambiente, de um conhecimento linguístico prévio, sintático por natureza.
III- A abordagem chamada de cognitivismo construtivista ou epigenético foi desenvolvida com base
nos estudos do epistemólogo suíço Jean Piaget, segundo o qual o aparecimento da linguagem se dá na
superação do estágio sensório-motor, por volta dos 18 meses. Neste estágio de desenvolvimento
cognitivo se dá o desenvolvimento da função simbólica, por meio da qual um significante (ou um
sinal) pode representar um objeto significado, além do desenvolvimento da representação, pela qual a
experiência pode ser armazenada e recuperada.
IV- Vygotsky explica o desenvolvimento da linguagem (e do pensamento) como tendo origens
sociais, externas, nas trocas comunicativas entre a criança e o adulto. Tais estruturas construídas
socialmente, "externamente", sofreriam, com o tempo (mais ou menos por volta de dois anos de idade), um movimento de interiorização e de representação mental do que antes era social e
internalizado. O pensador propõe que fala e pensamento prático devem ser estudados sob um mesmo
prisma e atribui à atividade simbólica, viabilizada pela fala, uma função organizadora do
pensamento: com a ajuda da fala, a criança começa a controlar o ambiente e o próprio
comportamento. O poderoso instrumento da linguagem é trazido pelo que chama de internalização da
ação e do diálogo.
V- A partir do início da década de 1980, os dramáticos avanços nas áreas da Neurociência e da
Computação deram vazão a uma nova escola de pensamento na Psicologia e nas Ciências Cognitivas
em geral – mais atualmente também na Linguística – denominada Conexionismo. Diferentemente do
que é defendido pelos teóricos simbolistas, para os quais a linguagem constitui um domínio
específico e localizado de conhecimento (domain specific), os conexionistas a concebem como fruto
do mesmo mecanismo responsável por processar todas as faculdades cognitivas humanas (domain
general). Embora os conexionistas admitam a existência de diferentes sistemas processadores no
cérebro (ou seja, diferentes algoritmos de aprendizagem), os princípios que subjazem a esses
diferentes processadores são os mesmos. Segundo essa visão, portanto, a natureza do hardware
mental restringe a cognição e o que é universal são os princípios que a governam. Além disso, ao
defenderem que a aprendizagem é moldada pelas demandas do ambiente, os defensores de modelos
conexionistas sugerem uma ‗nova forma de inatismo‘: embora aceitem a postulação de uma estrutura
cerebral inata responsável por restringir a aquisição da linguagem, questionam se essa é constituída
de módulos especializados de acordo com o tipo de input a ser processado ou se incluem qualquer
tipo de conhecimento prévio específico de estruturas gramaticais.
É verdadeira a letra:
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