Questões de Concursos Públicos - SEE-MG
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Q105226
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o texto a seguir:
“Hume questiona a realidade objetiva da causalidade. Para ele, o conhecimento dessa relação não se
obtém em nenhum caso pelo raciocínio a priori, mas apenas pela experiência, quando descobrimos
que objetos particulares estão em conjunção uns com os outros e, por força do hábito, consideramos
que diante de um objeto, sempre teremos o outro” (MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da
Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004, p. 183. Adaptado).
Segundo o texto acima, Hume considera que a causalidade não é um princípio a priori universal e
necessário existente nos objetos, mas o resultado de
Q105225
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o texto a seguir:
“Aqui está um livro de boa-fé, leitor. Ele te adverte, desde o início, que não me propus outro fim além
do doméstico e privado. Nele não tive nenhuma consideração por servir-te nem por minha glória: minhas forças não são capazes de tal desígnio. Dediquei-o ao uso particular de meus parentes e amigos,
a fim de que, tendo-me perdido, possam aqui encontrar alguns traços de minhas atitudes e humores,
e que por esse meio nutram, mais completo e mais vivo, o conhecimento que têm de mim. Se fosse
para buscar os favores do mundo, teria me enfeitado de belezas emprestadas. Quero que me vejam
aqui em meu modo simples, natural e corrente, sem pose nem artifício: pois é a mim que retrato”
(MONTAIGNE, Michel de. Ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 37. Adaptado).
Montaigne representa o ceticismo humanista do Renascimento. No trecho acima dos Ensaios, isso
fica claro porque ele relata
Q105224
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o texto a seguir:
“Muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais foram reconhecidos
como verdadeiros. Vai tanta diferença entre o como se vive e o modo por que se deveria viver, que
quem se preocupar com o que se deveria fazer em vez do que se faz aprende antes a ruína própria,
do que o modo de se preservar; e um homem que quiser fazer profissão de bondade é natural que se
arruíne entre tantos que são maus” (MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. São Paulo: Abril Cultural, 1973,
p. 69. Adaptado).
O trecho acima se refere ao esforço de Maquiavel em conceber a política como autônoma em relação
à ética. Ele consegue isso distinguindo entre
Q105223
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o texto a seguir:
“Um aspecto importante da filosofia de Santo Tomás de Aquino são suas provas da existência de
Deus. Em seu livro, a Suma teológica, ele propõe as seguintes cinco vias como provas: o primeiro
motor, a causa eficiente, a distinção entre ser necessário e ser contingente, os graus de perfeição e a
finalidade do ser” (COTRIM, Gilberto. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 246.
Adaptado).
Com exceção da quarta prova, os graus de perfeição, todas as outras provas compartilham de uma
mesma ideia básica, que é a seguinte:
Q105222
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o texto a seguir:
“Heráclito dizia que tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo. O ser não é mais que o vir a
ser. Tu não podes descer duas vezes no mesmo rio. Já Parmênides dizia que seria contraditório buscar a essência naquilo que está sempre mudando. O ser é e o não ser não é” (COTRIM, Gilberto.
Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 209-210. Adaptado).
De acordo com o texto acima, Heráclito se contrapõe a Parmênides, porque ele defende
Q105221
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o texto a seguir:
“Para não correr o risco de se enganar, Descartes decide considerar falso o que é só verossímil.
Começa, pois, por submeter tudo à dúvida: ‘Suponho que todas as coisas que vejo são falsas. Fixome bem que nada existiu de tudo o que minha memória me representa. Penso não ter nenhum órgão
de sentidos. Creio que o corpo, a figura, a extensão, o movimento e o lugar são invenções do meu
espírito. Então, o que posso considerar verdadeiro?’. Não é uma dúvida psicológica, nem a dúvida dos
céticos. Ao contrário. Essa dúvida hiperbólica está a serviço de fortalecer um espírito que busca a
certeza. Eis o que resta: ‘Embora eu quisesse pensar que tudo era falso, era preciso necessariamente
que eu, que assim pensava, fosse alguma coisa. Observando que essa verdade, 'penso, logo sou',
era tão firme e sólida que nenhuma das mais extravagantes hipóteses dos céticos seria capaz de
abalá-la, julguei que podia aceitá-la como o princípio primeiro da filosofia que procurava" (BENJAMIN,
César. Folha de São Paulo, São Paulo, 18 de setembro de 2011, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il1809201105.htm).
Conforme o trecho acima, Descartes, com o argumento do “penso, logo existo”, busca alcançar
Q105220
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o seguinte diálogo, entre Adso de Melk e Guilherme de Baskerville, personagens do romance "O
nome da rosa", de Umberto Eco, cuja história se passa na Itália no final do ano de 1327.
Adso: "Porém, quando vós lestes as pegadas sobre a neve e nos ramos, ainda não conhecíeis (o
cavalo) Brunello. De certo modo, os rastros nos falavam de todos os cavalos, ou pelo menos de todos
os cavalos daquela espécie. Não devemos então dizer que o livro da natureza nos fala só por meio de
essências, como afirmam admiráveis filósofos?" [...]
Guilherme: "Só então soube que meu raciocínio anterior me levara para perto da verdade. De modo
que as ideias, que eu usava antes para figurar-me um cavalo que ainda não tinha visto, eram puros
signos, como eram signos da ideia de cavalo as pegadas (que vimos) sobre a neve: e usam-se signos
e signos de signos apenas quando nos fazem falta as coisas".
Adso (refletindo sobre o seu mestre Guilherme): "Outras vezes eu o tinha escutado falar com muito
ceticismo das ideias universais e com grande respeito das coisas individuais: e depois parece que
essa tendência ele a tivesse tanto por ser britânico como por ser franciscano". (ECO, Umberto. O
nome da rosa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1983. p. 42-43. Adaptado).
O título do livro, “O nome da rosa”, faz referência a um importante debate filosófico ocorrido na Idade
Média acerca do valor e da exatidão dos nomes (palavras), principalmente em relação ao conhecimento científico. O diálogo acima entre Adso e Guilherme retrata bem esse debate filosófico, sendo
que Adso representa a corrente filosófica chamada de ________ e Guilherme a chamada de
_____________.
As duas lacunas do texto são preenchidas corretamente por:
Q105219
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
O trecho abaixo aborda os temas da natureza e da cultura:
“Não são, portanto, a razão, a afetividade, nem mesmo a linguagem que distinguem, em última análise,
os seres humanos, mesmo que, à primeira vista, esses diversos elementos possam parecer discriminatórios. Quem tem um cão sabe perfeitamente que o cão é mais sociável e até muito mais inteligente
do que alguns seres humanos! Nesses dois aspectos só diferimos dos animais pelo grau, do maior ao
menor, mas não de modo radical, qualitativo. O critério de diferenciação entre o homem e o animal
reside em outro ponto. Rousseau vai situá-lo na liberdade, ou, como exprime por meio de uma palavra
que vamos analisar, na “perfectibilidade”. No animal, a natureza fala o tempo todo e fortemente, tão
fortemente que ele não tem a liberdade de fazer nada além de obedecer lhe. No homem, ao contrário,
domina certa indeterminação: a natureza está presente de fato, e muito, como nos ensinam todos os
biólogos. Contudo, o homem pode afastar se das regras naturais, e até criar uma cultura que se opõe
a elas. Por exemplo, a cultura democrática que vai tentar resistir à lógica da seleção natural para
garantir a proteção dos mais fracos” (FERRY, L. Aprender a viver. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p.
130-133. Adaptado).
Segundo o texto de Luc Ferry, seguindo o pensamento de Rousseau, o que diferencia homem do
animal é a
Q105218
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o texto a seguir:
“Um dos modos talvez mais simples e menos polêmicos de se caracterizar a filosofia é através de sua
história: forma de pensamento que nasce na Grécia antiga, por volta do séc. VI a.C. Os primeiros
filósofos Tales, Anaxímenes e Anaximandro surgem nas colônias gregas do Mediterrâneo oriental, no
mar Jônico, que eram importantes postos comerciais e onde reinava um certo pluralismo cultural, com
a presença de diversas línguas, tradições, cultos e mitos. É possível que a influência de diferentes
tradições míticas tenha levado à relativização dos mitos. Por isso, os filósofos da escola jônica buscam
uma explicação do mundo baseada essencialmente em causas naturais e através de uma discussão
aberta, na qual todos podiam participar com seus argumentos” (MARCONDES, Danilo. Iniciação à
História da Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004, p. 19-22. Adaptado).
Segundo Marcondes, uma das condições para o surgimento do pensamento filosófico na Grécia antiga
foi a mentalidade
Q105217
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
Leia o texto a seguir:
“Até agora se supôs que todo o nosso conhecimento tinha que se regular pelos objetos; porém todas
as tentativas de mediante conceitos estabelecer algo a priori sobre os mesmos, através do que ampliaria o nosso conhecimento, fracassaram sob esta pressuposição. Por isso tente-se ver uma vez se
não progredimos melhor nas tarefas da metafísica admitindo que os objetos têm que se regular pelo
nosso conhecimento” (KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p. 12.
Adaptado).
Nesta passagem, Kant apresenta sua proposta de fazer uma “revolução copernicana” na metafísica,
que consistiria em fazer com que o conhecimento do objeto dependesse de