Questões de Concursos Públicos - SEDUC-MT
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Q246000
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
Um professor de Sociologia deseja promover uma reflexão crítica
sobre as dinâmicas da sociedade do trabalho e da sociedade do
desempenho com seus estudantes do Ensino Médio, partindo da
obra “Sociedade do cansaço” de Byung-Chul Han. Para isso, ele
decide apresentar a seguinte passagem da obra durante sua aula:
"Na sociedade do trabalho e do desempenho de hoje, que
apresenta traços de uma sociedade coativa, cada um carrega
consigo um campo, um campo de trabalho. A característica
específica desse campo de trabalho é que cada um é ao mesmo
tempo detento e guarda, vítima e algoz, senhor e escravo. Nós
exploramos a nós mesmos. O que explora é ao mesmo tempo
explorado. Já não se pode distinguir entre algoz e vítima. Nós nos
otimizamos rumo à morte, para melhor poder funcionar.
Funcionar melhor é interpretado, fatalmente, como
melhoramento do si-mesmo."
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. 2. ed. Rio de Janeiro: Vozes,
2017.
Com essa passagem, o professor deseja propor uma atividade
que incentive a compreensão crítica de seus estudantes sobre o
impacto do desempenho e da autoexploração no mundo do
trabalho contemporâneo. Entre as estratégias pedagógicas a
seguir, qual delas é adequada para atingir o objetivo do
professor?
Q245999
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
Durante uma aula de Sociologia, o professor apresentou aos
estudantes o seguinte trecho:
“É certo que Keynes não nos legou uma obra acabada e
definitiva; ensinou-nos, no entanto, que a operação de uma
economia monetária não pode ser compreendida a partir de
modelos analíticos ancorados na Lei de Say. Mais importante
ainda, incorporou à Economia a grande descoberta filosófica do
século XIX, cristalizada na máxima — “O Homem está só” — ou
seja, não podemos contar com a “mão invisível” para garantir o
suprimento dos bens e serviços e para gerar todos os empregos
requeridos por aqueles que desejam trabalhar. Keynes nos
ensinou que a ação do Estado, através da política econômica, é
um ingrediente básico do bom funcionamento do sistema
capitalista. Ou seja, o ativismo do Estado é um complemento
indispensável ao funcionamento dos mercados para se obter o
máximo nível de emprego possível e, portanto, maximizar o nível
de bem-estar da coletividade.”
SILVA, Adroaldo Moura. Apresentação: Keynes e a teoria geral. In:
KEYNES, John Maynard. A teoria geral do emprego, do juro e da moeda.
São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 20.
O professor explicou a passagem, afirmando que a economia não
pode depender exclusivamente do mercado para garantir
empregos e o suprimento de bens e serviços, pois, para Keynes
(1883-1946), a ação do Estado é essencial para corrigir falhas de
mercado e promover o bem-estar da sociedade.
Os estudantes começaram a discutir se o papel do Estado na
economia deveria ser ampliado ou reduzido, e quais seriam os
impactos dessa escolha no bem-estar social. Alguns estudantes
argumentaram que a intervenção estatal é necessária para
garantir direitos básicos, enquanto outros defenderam que o livre
mercado deve prevalecer, com o mínimo de interferência
governamental.
Diante desse debate, o professor percebeu que havia dúvidas
sobre o conceito de Estado de Bem-Estar Social e sua relação com
a economia keynesiana. Qual seria a estratégia pedagógica
adequada para aprofundar a compreensão dos estudantes sobre
o tema?
Q245998
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
Trabalhando com o tema sobre o consumo na
contemporaneidade, um professor de sociologia citou para seus
estudantes a seguinte passagem:
"O consumo na contemporaneidade deve ser compreendido
a partir da sua dimensão simbólica, ou seja, os indivíduos passam
a adquirir os bens pelas suas virtualidades sociais, ou seja, os
bens passam a ser os elementos definidores de um novo sistema
de classificação, servindo de parâmetros para os modernos
processos de identificação e de exclusão. Desse modo, 'em vez de
supor que os bens sejam necessários, em primeiro lugar, à
subsistência e à exibição competitiva, suponhamos que sejam
necessários para dar visibilidade e estabelecer as categorias da
cultura”.
MENDES, Débora. Ideologia de gênero e publicidade: um olhar para
além das aparências. São Carlos: Novas Edições Acadêmicas, 2017. p. 19.
Depois de ler a passagem, o professor introduziu os conceitos de
Indústria Cultural e Sociedade do Espetáculo, abordando a forma
como o consumo, impulsionado pela mídia e pelo marketing, com
suas propagandas, molda identidades, comportamentos e
relações sociais.
O tema gerou um debate entre estudantes que começaram a
discutir se o consumo é um ato de liberdade individual ou se ele é
uma imposição social que define os pertencimentos e exclusões
dentro da sociedade.
No entanto, a discussão levantou dificuldades sobre a
compreensão de como o consumo está diretamente relacionado
aos processos de alienação e manipulação cultural.
Com isso, o professor decidiu traçar uma estratégia para
aprofundar a compreensão dos estudantes sobre esse fenômeno.
Qual das opções a seguir, seria adequada para ajudar o
professor?
Q245997
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
Ano: 2025
Órgão:
SEDUC-MT
Banca:
FGV
Matéria:
Sociologia
Assunto: Estratificação e desigualdade social
Ao trabalhar o conceito de mais-valia dentro do pensamento
marxista, o professor apresentou aos estudantes a seguinte
situação hipotética:
Uma empresa contrata uma operária para trabalhar 8 horas por
dia e paga a ela R$ 80,00 por jornada. Após um estudo, a
empresa descobre que, em 4 horas, a operária já produziu o
equivalente a R$ 80,00 em mercadorias. Nas 4 horas restantes do
dia, ela continua produzindo e gera mais R$ 80,00 de valor para a
empresa. Em seguida, para fundamentar a situação acima, o
professor apresenta um trecho da obra de Karl Marx, O Capital:
“O valor de uso da força de trabalho, o próprio trabalho,
pertence tão pouco a seu vendedor quanto o valor de uso do óleo
pertence ao comerciante que o vendeu. O possuidor de dinheiro
pagou o valor de um dia de força de trabalho; a ele pertence,
portanto, o valor de uso dessa força de trabalho durante um dia,
isto é, o trabalho de uma jornada. A circunstância na qual a
manutenção diária da força de trabalho custa apenas meia
jornada de trabalho, embora a força de trabalho possa atuar por
uma jornada inteira, e, consequentemente, o valor que ela cria
durante uma jornada seja o dobro de seu próprio valor diário – tal
circunstância é, certamente, uma grande vantagem para o
comprador, mas de modo algum uma injustiça para com o
vendedor.”
MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Boitempo, 2015. p. 199
Após a explicação e exposição dos conceitos, o professor
apresenta para os estudantes uma atividade, na qual os
estudantes precisam escolher uma das alternativas, que melhor
representa uma leitura crítica e coerente com o pensamento
marxista sobre a relação entre trabalho e remuneração. Qual das
opções a seguir, os estudantes devem escolher?
Q245996
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
Ano: 2025
Órgão:
SEDUC-MT
Banca:
FGV
Matéria:
Sociologia
Assunto: Estratificação e desigualdade social
"A compreensão dos processos sociais e das dinâmicas
culturais é essencial para que os estudantes possam atuar de
forma crítica e ética na sociedade."
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Ensino
Médio. Brasília: MEC, 2018. Disponível em:
https://portal.mec.gov.br/docman/abril-2018-pdf/85121-bncc-ensinomedio/file. Acesso em: 4 abr. 2025.
Com base na citação anterior, que integra os fundamentos da
Sociologia na BNCC, avalie a situação hipotética apresentada a
seguir:
Um(a) professor(a) de Sociologia deseja desenvolver com
seus estudantes a capacidade de compreender criticamente as
desigualdades sociais presentes em sua comunidade local. Para
isso, pretende explorar os processos de exclusão, resistência e
transformação cultural.
Considerando os objetivos formativos da área de Ciências
Humanas na BNCC, qual das opções a seguir representa a
abordagem coerente com a intencionalidade crítica e ética do
ensino de Sociologia?
Q245995
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
Ano: 2025
Órgão:
SEDUC-MT
Banca:
FGV
Matéria:
Sociologia
Assunto: Estratificação e desigualdade social
Texto 1
No documentário brasileiro Nunca me sonharam (2017), um
jovem declara: “como meus pais não foram bem-sucedidos na
vida, eles não me incentivaram. Nunca me sonharam eu sendo
um psicólogo, um professor, um médico. Não me ensinaram a
sonhar. Eu aprendi a sonhar sozinho.”.
NUNCA ME SONHARAM. Direção: Cacau Rhoden. Produção: Maria
Farinha Filmes. São Paulo, 2017.
Texto 2
Uma parcela de milhões de jovens brasileiros sonha mais com
o mundo mágico dos influencers do que com uma vaga na
universidade. Eles sabem que é um funil para pouquíssimos, que
podem vender um carro e não chegar lá, mas que no fim, para a
maioria, sobrará a resignação.
Moisés Mendes. A geração que “estuda” para ser influencer.
www.extraclasse.org.br. 22.10.2014. Adaptado.
Os textos revelam que, no Brasil, a juventude é
Q245994
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
Ano: 2025
Órgão:
SEDUC-MT
Banca:
FGV
Matéria:
Sociologia
Assunto: Estratificação e desigualdade social
Mais de 9 milhões de jovens, entre 15 e 29 anos de idade, já
tinham deixado de estudar em 2023 antes de concluir a educação
básica. A informação é da pesquisa do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), “Síntese de indicadores sociais:
uma análise das condições de vida da população brasileira 2024″,
divulgada em dezembro de 2024. Entre os homens, a necessidade
de trabalhar foi a principal razão para o abandono escolar, com
53,5% dos casos. Já tarefas domésticas foi o menor motivo
(0,8%). Entre as mulheres, 32,6% abandonaram a escola por
gravidez e necessidade de realizar tarefas de casa ou cuidar de
criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência. A
porcentagem foi maior que a necessidade de trabalhar (25,5%) e
a falta de interesse (20,9%).
(Rafael Saldanha. IBGE: 9,1 milhões abandonaram a escola sem terminar
o ensino básico até 2023. www.cnnbrasil.com.br. 04.12.2024. Adaptado.)
Com bases nos dados apresentados, afirma-se que
Q245993
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
Texto 1
O projeto de nação de José Bonifácio (1763-1838) tinha por
fim último a invenção de uma identidade para o Brasil, por meio
da constituição de uma utópica sociedade racial, social, política e
culturalmente homogênea. Por isso, seus discursos e propostas
conferiam centralidade à temática da educação e da
incorporação progressiva dos indígenas, grupos étnicos por ele
representados como expressão da índole negativa do brasileiro
que, "por natureza, clima e vícios coloniais", era "preguiçoso,
indolente e ignorante".
José Gonçalves Gondra e Alessandra Schueler. Educação, pode e
sociedade no império brasileiro, 2008. Adaptado.
Texto 2
Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das
agências federais de fomento à cultura e de assistência aos
indígenas, desenvolverá programas integrados de ensino e
pesquisa, para oferta de educação escolar bilingue e intercultural
aos povos indígenas, com os seguintes objetivos:
I. proporcionar aos indígenas, suas comunidades e povos, a
recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação de
suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e
ciências;
II. garantir aos indígenas, suas comunidades e povos, o acesso
às informações, conhecimentos técnicos e científicos da
sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não índias.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394, de 20
de dezembro de 1996. Adaptado.
Assinale a alternativa que expressa corretamente a mudança na
concepção de educação indígena ao longo do tempo, conforme
os textos.
Q245992
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
A compreensão dada na reforma [de 1971] à educação geral
e à formação especial foi um dos aspectos mais inovadores e
polêmicos. O tema da educação para o trabalho no ensino médio
vinha sendo defendido por um grande número de educadores
brasileiros de várias posições políticas e ideológicas. Mas o modo
como a reforma tratou o problema foi inusitado seja pela
radicalidade das proposições, seja pela arbitrariedade como elas
foram implantadas. A noção de humanismo adquiria uma nova
conotação. Na visão dos educadores que conceberam a reforma,
essa noção incorporava as referências do desenvolvimento
científico e tecnológico e se traduzia no currículo como educação
geral e formação especial. Essa terminalidade estava
pressuposta, indicando que a reforma previra a adequação do
sistema educacional à realidade do trabalho vivenciada por
estudantes das camadas populares.
(Rosa Fátima de Souza. História da organização do trabalho escolar e do
currículo no século XX, 2008. Adaptado.
Considerando a educação escolar vinculada à organização social e
política de uma nação, a referida reforma
Q245991
FGV - 2025 - SEDUC-MT - Professor de Educação Básica - Habilitação: Sociologia
O período que compreende os anos de 1925 a 1942
representa o auge do ensino da Sociologia na escola secundária
do Brasil, pois seu prestígio saiu do cenário acadêmico, atingindo
o cotidiano das classes médias ilustradas. Ademais, durante os
anos de 1942 a 1960, a importância da Sociologia declina-se.
Surge o medo da ciência social, pois poderia ser subversiva. As
circunstâncias do Estado Novo representaram um obstáculo ao
florescimento das atividades de ensino e pesquisa em Sociologia.
Alice Anabuki Plancherel e Evelina Antunes F. de Oliveira (org.). Leituras
sobre Sociologia no Ensino Médio, 2007. Adaptado.
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o ensino de
Sociologia no Brasil, afirma-se que