Questões de Concursos Públicos - ABEPRO
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Q110652
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Considere as frases abaixo em seu contexto (textos 1 e 2).
1. “Algo como cinco bilhões de pessoas, em todo
o mundo, usarão um celular em 2020.” (texto 1,
1º parágrafo)
2. “Mas também nós, como consumidores, precisamos considerar os celulares menos como
um objeto descartável e mais como um
recurso precioso, que carrega enorme peso
ambiental.” (texto 1, 5º parágrafo)
3. “Mas quais seriam essas medidas? Pode-se
dizer que hoje usamos alguns tipos de métricas alternativas, e que, a partir delas, podemos
fazer diferentes estudos.” (texto 2, 2º parágrafo)
4. “Precisamos fugir de números mágicos que prometem resumir em um único indicador todo o
valor de uma pesquisa.” (texto 2, 3º parágrafo)
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as
falsas ( F ) em relação às frases acima.
( ) Em 1, trata-se de uma afirmação que funciona
como tópico frasal a partir do qual são apresentados argumentos e exemplos relativos ao
impacto ambiental do amplo uso de celular.
( ) Em 2, o uso da primeira pessoa do plural constrói uma forma de aproximação com o leitor,
tornando-o corresponsável pela preservação
ambiental.
( ) Em 2 e 3, o uso de exemplos cotidianos funciona como argumento de autoridade, legitimando a ideia central dos textos.
( ) Em 4, os autores fazem uma crítica à tendência
moderna de quantificar a pesquisa, o que, na
visão deles, seria inviável, uma vez que o trabalho acadêmico não tem valor comensurável.
( ) Em 2, 3 e 4, os autores fazem uso de uma linguagem informal, comunicativa e pedagógica,
típica da modalidade oral e incongruente com
a modalidade formal escrita.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta,
de cima para baixo.
Q110651
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V )
e as falsas ( F ) de acordo com o texto.
( ) A autenticidade e unicidade da obra estão
relacionadas com a contextualização temporal e espacial da obra de arte.
( ) Unicidade e serialidade são elementos contraditórios, sendo que o primeiro se vincula à
autenticidade e o segundo ao capitalismo.
( ) A reprodutibilidade da obra permite que a
singularidade da arte possa ser duplicada e
transposta para outros contextos.
( ) Em tempos de reprodutibilidade, a função
ritual da obra de arte, orientada para o
aspecto artístico, foi transformada em função
política, orientada para o caráter expositivo.
( ) A singularidade e adaptabilidade da experiência do ator no teatro contrasta com a situação
de artificialidade e de culto do ator que ocorre
no cinema.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta,
de cima para baixo.
Q110650
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Assinale a alternativa correta, de acordo com o
texto.
Q110649
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Assinale a alternativa correta, de acordo com o
texto.
Q110648
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Considere os trechos abaixo em seu contexto.
1. O “hic et nunc” (“aqui e agora”) do original
constitui o que chama de autenticidade, a
unicidade de sua presença no próprio local
onde ela se encontra. (1º parágrafo)
2. Desde que o critério de autenticidade não
mais se aplica à produção artística, toda função de arte é subvertida, ela se funda agora
não apenas no ritual, mas noutra forma da
práxis: a política. (2º parágrafo)
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as
falsas ( F ) em relação às frases acima.
( ) Em 1, o sujeito de “chama” é indeterminado.
( ) Em 1, “sua” e “ela” fazem referência à “obra de
arte”.
( ) Em 2, “função de arte” pode ser substituída
por “função artística”, sem prejuízo de significado no texto.
( ) Em 2, a palavra “subvertida” pode ser substituída por “apaziguada”, sem prejuízo de significado no texto.
( ) Em 2, entende-se que a subversão da arte
implica a substituição da função artística e
ritualística pela política.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta,
de cima para baixo.
Q110647
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Considere o trecho abaixo extraído do texto.
O valor da unicidade “autêntica” se baseia no ritual que
originariamente foi dado. Sendo assim, a reprodutibilidade contribui diretamente para a destruição do caráter único da autenticidade e da tradição. No sistema
capitalista, a existência única é substituída por uma
existência serial. Desde que o critério de autenticidade
não mais se aplica à produção artística, toda função
de arte é subvertida, ela se funda agora não apenas no
ritual, mas noutra forma da práxis: a política. À medida
que se emancipam, as obras de arte tornam-se mais
acessíveis a serem expostas. Isso afeta também a qualidade da própria natureza da arte, pois seu valor expositivo lhe empresta funções novas de maneira que a
função artística apareça como acessória. (2º parágrafo)
Assinale a alternativa cuja sequência substitui corretamente os termos sublinhados, sem prejuízo de significado no texto e sem ferir a norma culta da língua
escrita.
Q110646
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Assinale a alternativa correta, de acordo com o
texto.
Q110645
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Considere as frases abaixo em seu contexto.
1. “Mia Couto é uma das poucas pessoas no
mundo capaz de juntar com beleza e propriedade assuntos que vão da medicina à ecologia, da biologia à poesia, da prosa à política.”
(1º parágrafo)
2. “Confirmei na ciência o que suspeitava como
poeta: a certeza de um parentesco perdido
com o mundo natural, seja ele tido como vivo
ou inorgânico.” (2ª resposta)
3. “E mesmo nesse lugar sagrado onde se acreditava estar registrado o nosso pedigree distinto
de todas as outras espécies, mesmo no nosso
genoma mora a vida inteira.” (2ª resposta)
4. “Um dia um desconhecido num aeroporto em
Moçambique abordou-me para me dizer que
queria oferecer uma palavra.” (4ª resposta)
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as
falsas ( F ) em relação as frases acima.
( ) Em 1, o verbo ir tem o mesmo significado de
deslocamento espacial que em: “viajantes que
vão do Rio a São Paulo”.
( ) Em 2, há uma relação lógico-semântica de
disjunção em “seja ele tido como vivo ou
inorgânico”.
( ) Em 3, a palavra “mesmo” funciona, nas duas
ocorrências, como operador argumentativo
que realça um argumento, direcionando o
sentido para determinada conclusão.
( ) Em 3, “a vida inteira” funciona como adjunto
adverbial temporal.
( ) Em 4, as duas ocorrências do pronome “me”
são correferenciais e desempenham a mesma
função sintática: objeto direto.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta,
de cima para baixo.
Q110644
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V )
e as falsas ( F ), de acordo com o texto.
( ) Mia Couto aproxima seu universo literário ao
mundo interligado da ecologia e biologia, o
que se evidencia pela construção “epopeia partilhada por milhões de criaturas”. (1ª resposta)
( ) Para Mia Couto, a ciência ainda conserva um
lado de mistério e enigma.
( ) A mudança das línguas, segundo Mia Couto,
ocorre geralmente em decorrência dos usos
feitos pelas pessoas comuns e não de motivações literárias, sendo os escritores tidos como
coprodutores.
( ) O escritor africano reforça a dicotomia entre
vida racional e irracional, o que fica claro com
a construção “mesmo no nosso genoma mora
a vida inteira”.
( ) Mia Couto vincula o idioma a uma identidade
coletiva, compartilhada e mutável.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta,
de cima para baixo.
Q110643
FEPESE - 2018 - ABEPRO - Processo de Seleção - Edital 002/2018
Texto 3
Notas de uma resenha
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. In: ADORNO et al. Teoria da Cultura de massa. Trad. de C. N. Coutinho. São Paulo: Paz e Terra, 2000. p. 221-254. [O texto de Benjamin foi escrito em 1936.]
Walter Benjamin é um grande autor moderno e nos aproxima de suas reflexões sobre uma teoria materialista da arte e a discussão de cultura de massa na modernidade capitalista. Em seu texto, o autor aponta para algumas questões importantes como a noção de autenticidade, o valor de culto e a unicidade na obra de arte. O “hic et nunc” (“aqui e agora”) do original constitui o que chama de autenticidade, a unicidade de sua presença no próprio local onde ela se encontra. No entanto, esse conceito não tem sentido para uma reprodução, técnica ou não, pois essa noção escapa a toda reprodução.
Discute-se em que época da reprodutibilidade técnica a obra de arte é atingida em sua aura, definida como “única aparição de uma realidade longínqua, por mais próxima que ela possa estar” (p. 229). O valor da unicidade “autêntica” se baseia no ritual que originariamente foi dado. Sendo assim, a reprodutibilidade contribui diretamente para a destruição do caráter único da autenticidade e da tradição. No sistema capitalista, a existência única é substituída por uma existência serial. Desde que o critério de autenticidade não mais se aplica à produção artística, toda função de arte é subvertida, ela se funda agora não apenas no ritual, mas noutra forma da práxis: a política. À medida que se emancipam, as obras de arte tornam-se mais acessíveis a serem expostas. Isso afeta também a qualidade da própria natureza da arte, pois seu valor expositivo lhe empresta funções novas de maneira que a função artística apareça como acessória.
Benjamin aponta o cinema como agente eficaz dessas contradições. A exemplo de polêmicas entre pintores e fotógrafos, em curso no século XIX, no que diz respeito aos valores respectivos das suas obras, também o cinema e o teatro são polemizados. No teatro, o ator adapta-se diante das reações diretas do público e, assim, nota-se a aparição única de algo distante, ou seja, a aura. Já no cinema há todo um mecanismo de mediação, com restrição do papel da aura e a construção artificial da “personalidade” do ator, ou seja, o culto da “estrela” a favor do capitalismo dos produtores.
Segundo o autor, “a massa é a matriz de onde brota, atualmente, todo um conjunto de novas atitudes em face da obra de arte. A quantidade tornou-se qualidade” (p. 250). As massas buscam diversão. Mas a arte necessita do recolhimento. Quem se recolhe diante da obra de arte, por ela é envolvido. Como imagem dialética, o autor cita a história de um pintor chinês que, de acordo com a lenda, perdeu-se na paisagem que acabara de pintar.
FIGUEIREDO, V. M. C. de.; OLIVEIRA, A. P. Disponível em: . [Adaptado] Acesso: 03/set/2018.
Texto 4 Entrevista com Mia Couto Prestes a completar 62 anos, o escritor moçambicano Mia Couto é uma das poucas pessoas no mundo capaz de juntar com beleza e propriedade assuntos que vão da medicina à ecologia, da biologia à poesia, da prosa à política. Quais seus principais interesses como cientista? Sou biólogo e ecologista. O que me fascina é a fronteira entre a descoberta científica e a margem de mistério que sempre subsiste. Mas sobretudo a Biologia me ajudou a repensar-me como pessoa solidária e de identidades partilhadas. A Biologia ensinou-me a entender outras linguagens, ensinou-me a fala das árvores, a fala dos que não falam. Hoje em nenhum lugar me sinto uma criatura solitária. Mais do que tudo ela me trouxe a saúde de pensar que faço parte de uma epopeia partilhada por milhões de criaturas, e nessa antiga saga não existe nunca um ator principal. De que maneira a ciência ajuda na sua obra literária e vice-versa? Confirmei na ciência o que suspeitava como poeta: a certeza de um parentesco perdido com o mundo natural, seja ele tido como vivo ou inorgânico. Não imaginamos, nós seres humanos, o quanto somos feitos de material não humano. E mesmo nesse lugar sagrado onde se acreditava estar registrado o nosso pedigree distinto de todas as outras espécies, mesmo no nosso genoma mora a vida inteira. As palavras que existem na língua portuguesa já não bastam para expressar o que se quer? Os idiomas são entidades vivas e raramente são os escritores que criam mudanças que se tornam registro corrente. São as pessoas comuns. Não podemos abdicar do direito (e sobretudo do prazer) de sermos coprodutores desse corpo social. Não se trata de uma questão literária. Mas da possibilidade de ver no idioma um modo de assumirmos uma identidade solidária e coletiva e em permanente construção. Qual sua palavra favorita (inventada ou existente) e o que ela tem de especial? Um dia um desconhecido num aeroporto em Moçambique abordou-me para me dizer que queria oferecer uma palavra. Estranhei mas ele explicou-se: era um engenheiro de obras e numa certa ocasião teve que chamar a atenção de um operário sobre algo que não estava bem feito. E o homem respondeu: esta é uma coisa “improvisória”. Este termo é genial. Porque reúne muito do que somos em Moçambique (e possivelmente no Brasil): improvisamos na lógica do provisório. Numa única palavra se exprime um modo de uma cultura se dizer a si mesma. Como conduzir o leitor entre o real e o imaginário sem confundi-lo? Talvez o leitor precise mesmo de ficar confuso, de perder o pé e ser convidado a procurar um novo chão. Se a obra de arte não fizer isso ela não cumpre a sua função de nos conduzir a uma viagem, a saltar fronteiras e a desobedecer certezas. E talvez seja necessário questionar essa construção de literatura do “mágico” e do “fantástico”. Não existe literatura que não caminhe com um pé no fantástico e outro no real. PEREIRA, C.; MASSON, C. Revista Isto É. Edição 15/06/2017 - nº 2479. Disponível em: [Adaptado]. Acesso: 05/set/2018.
Assinale a alternativa correta, de acordo com os
textos 3 e 4.