Questões de Concursos Públicos - FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
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Q105219
FUMARC - 2018 - SEE-MG - Professor de Educação Básica - Filosofia
O trecho abaixo aborda os temas da natureza e da cultura:
“Não são, portanto, a razão, a afetividade, nem mesmo a linguagem que distinguem, em última análise,
os seres humanos, mesmo que, à primeira vista, esses diversos elementos possam parecer discriminatórios. Quem tem um cão sabe perfeitamente que o cão é mais sociável e até muito mais inteligente
do que alguns seres humanos! Nesses dois aspectos só diferimos dos animais pelo grau, do maior ao
menor, mas não de modo radical, qualitativo. O critério de diferenciação entre o homem e o animal
reside em outro ponto. Rousseau vai situá-lo na liberdade, ou, como exprime por meio de uma palavra
que vamos analisar, na “perfectibilidade”. No animal, a natureza fala o tempo todo e fortemente, tão
fortemente que ele não tem a liberdade de fazer nada além de obedecer lhe. No homem, ao contrário,
domina certa indeterminação: a natureza está presente de fato, e muito, como nos ensinam todos os
biólogos. Contudo, o homem pode afastar se das regras naturais, e até criar uma cultura que se opõe
a elas. Por exemplo, a cultura democrática que vai tentar resistir à lógica da seleção natural para
garantir a proteção dos mais fracos” (FERRY, L. Aprender a viver. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p.
130-133. Adaptado).
Segundo o texto de Luc Ferry, seguindo o pensamento de Rousseau, o que diferencia homem do
animal é a
Q105218
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Leia o texto a seguir:
“Um dos modos talvez mais simples e menos polêmicos de se caracterizar a filosofia é através de sua
história: forma de pensamento que nasce na Grécia antiga, por volta do séc. VI a.C. Os primeiros
filósofos Tales, Anaxímenes e Anaximandro surgem nas colônias gregas do Mediterrâneo oriental, no
mar Jônico, que eram importantes postos comerciais e onde reinava um certo pluralismo cultural, com
a presença de diversas línguas, tradições, cultos e mitos. É possível que a influência de diferentes
tradições míticas tenha levado à relativização dos mitos. Por isso, os filósofos da escola jônica buscam
uma explicação do mundo baseada essencialmente em causas naturais e através de uma discussão
aberta, na qual todos podiam participar com seus argumentos” (MARCONDES, Danilo. Iniciação à
História da Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004, p. 19-22. Adaptado).
Segundo Marcondes, uma das condições para o surgimento do pensamento filosófico na Grécia antiga
foi a mentalidade
Q105217
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Leia o texto a seguir:
“Até agora se supôs que todo o nosso conhecimento tinha que se regular pelos objetos; porém todas
as tentativas de mediante conceitos estabelecer algo a priori sobre os mesmos, através do que ampliaria o nosso conhecimento, fracassaram sob esta pressuposição. Por isso tente-se ver uma vez se
não progredimos melhor nas tarefas da metafísica admitindo que os objetos têm que se regular pelo
nosso conhecimento” (KANT, Immanuel. Crítica da razão pura. São Paulo: Abril Cultural, 1980, p. 12.
Adaptado).
Nesta passagem, Kant apresenta sua proposta de fazer uma “revolução copernicana” na metafísica,
que consistiria em fazer com que o conhecimento do objeto dependesse de
Q105216
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Leia o texto a seguir:
“Segundo Koyré, a Revolução científica do século XVII causou a destruição do cosmos como concepção do mundo como um todo finito, fechado e ordenado hierarquicamente e a sua substituição por um
universo indefinido e infinito que é mantido coeso pela identidade de seus componentes e leis fundamentais. Isso implicou o abandono, pelo pensamento científico, de todas as considerações baseadas
em valores” (KOYRÉ, Alexandre. Do mundo fechado ao universo infinito. Rio de Janeiro: Forense
Universitária, 2006, p. 6. Adaptado).
De acordo com o texto acima, uma característica do novo pensamento científico, que surge com a
Revolução científica, é a
Q105215
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Leia o texto a seguir:
“Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material dominante numa dada sociedade é também a potência
dominante espiritual. A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos
meios de produção intelectual, de tal modo que o pensamento daqueles a quem são recusados os
meios de produção intelectual está submetido igualmente à classe dominante. Os pensamentos dominantes nada mais são do que a expressão idealizada das relações materiais dominantes, portanto,
a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; em outras palavras, são as
ideias de sua dominação” (MARX, Karl. A ideologia alemã. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p. 48.
Adaptado).
Marx, no trecho acima, está se referindo à ideologia, cuja função é fazer com que as ideias
Q105214
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Leia o texto a seguir:
“Wittgenstein nas Investigações Filosóficas diz que a significação de uma palavra é o seu uso na
linguagem” (WITTGENSTEIN, Ludwig. Investigações filosóficas. São Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 28.
Adaptado).
Assim, por exemplo, na frase “o Sr. Branco é branco”, a palavra “branco” tem dois significados diferentes, pois ela é usada como nome próprio no início da frase e como designação de uma cor no final
da frase.
A consequência disso é que as palavras, conceitos e nomes
Q105213
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Leia o texto a seguir:
“A ética é a reflexão filosófica que visa fazer com que, diante da necessidade de decidir sobre como
proceder em determinadas circunstâncias, a pessoa aja de modo correto; bem como servir de parâmetro para avaliar um determinado ato realizado por outro indivíduo como sendo ou não eticamente
correto. Porém, a ética não pode ser vista dissociada da realidade sociocultural concreta. Os valores
éticos de uma comunidade variam de acordo com o ponto de vista histórico e dependem de circunstâncias determinadas” (MARCONDES, Danilo. Textos básicos de ética. Rio de Janeiro: Zahar, 2007,
p. 9-10. Adaptado).
No texto acima, Marcondes afirma que a ética é a reflexão filosófica que avalia as regras de comportamento humano. Isto significa que o comportamento humano NÃO é determinado
Q105212
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Leia o texto a seguir:
“Durante o inverno de 1919-1920, essas considerações me levaram a conclusões que posso agora
reformular da seguinte maneira: (1) É fácil obter confirmações ou verificações para quase toda teoria
– desde que as procuremos. (2) As confirmações só devem ser consideradas se resultarem de predições arriscadas. (3) Toda teoria científica “boa” é uma proibição: ela proíbe certas coisas de acontecer.
Quanto mais uma teoria proíbe, melhor ela é. (4) A teoria que não for refutada por qualquer acontecimento concebível não é científica. A irrefutabilidade não é uma virtude, como freqüentemente se
pensa, mas um vício” (POPPER, Karl. Conjecturas e Refutações. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1982, p. 66. Adaptado).
No trecho acima, Popper critica o princípio de verificabilidade como critério de demarcação entre ciência e não ciência, propondo um novo princípio. Segundo ele, o critério de cientificidade de uma
teoria é a refutabilidade, ou seja,
Q105211
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Leia o texto a seguir:
“Kant recusa tanto o empirismo como o racionalismo; existem ideias puras da razão – mas meramente
como princípios regulativos a serviço da experiência. Demonstrando a existência de certas condições
da experiência não empíricas e, portanto, universalmente válidas. Kant mostra que a metafísica é
possível, mas em contraposição ao racionalismo, somente como teoria da experiência, e não como
uma ciência que transcende o âmbito da experiência; e, à diferença do empirismo, não como teoria
empírica, senão como teoria transcendental da experiência” (HÖFFE, Otfried. Immanuel Kant. São
Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 39-40. Adaptado).
Otfried Höffe afirma que Kant elabora, com a sua teoria do conhecimento, uma nova metafísica fundada em uma “teoria transcendental da experiência”, capaz de superar o racionalismo e o empirismo
porque mantém
Q105210
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Leia o texto a seguir:
“Onde está a necessidade da filosofia? Está no fato de que ela, por meio da reflexão, permite que o
homem tenha mais que uma dimensão, além daquela que é dada pelo agir imediato no qual o “homem
prático” se encontra mergulhado. É ela que permite o distanciamento para a avaliação dos fundamentos dos atos humanos e dos fins a que eles se destinam. É ela que reúne o pensamento fragmentado
da ciência e o reconstrói na sua unidade. É ela que retoma a ação pulverizada no tempo e procura
compreendê-la” (ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando. São Paulo: Moderna, 1986, p. 48,
Adaptado).
Segundo o trecho acima, o pensamento filosófico é necessário aos seres humanos, porque desenvolve as capacidades de